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A
chamada "Guerra de Cabo Frio" aconteceu em 1575. O
Governador do Rio de Janeiro, Antonio Salema, reuniu poderoso exército
com gente da Guanabara, São Vicente e Espírito Santo, apoiado
por grande tropa tupiniquim catequizada. Os oficiais e soldados
seguiram por terra e mar, tendo como objetivo liquidar o último
bastião da "Confederação dos Tamoios" e acabar com o
domínio francês que já durava 20 anos em Cabo Frio.
Após o cerco e a rendição da
fortaleza francotamoia, dois franceses, um inglês e o pajé
tupinambá foram enforcados, 500 guerreiros assassinados a sangue
frio e aproximadamente 1500 índios escravizados. As tropas
vencedoras ainda entraram pelo sertão, queimavam aldeias, mataram
mais de 10.000 índios e aprisionaram outros tantos. Os
sobreviventes, refugiaram-se na Serra do Mar e Cabo
Frio. ("O
Último Tamoio" - Pintura de Rodolfo Amoedo).
A
baixada litorânea, de Macaé até Saquarema, devido a carnificina
levada a efeito contra os índios, verdadeiros donos das terras,
ficou transformada em um verdadeiro deserto humano, e somente
movimentada com a passagem esporádica dos Goitacazes que
incursionavam por estas terras a procura da caça e pesca.
Embora os portugueses não tivessem colonizado Cabo Frio após o
massacre de 1575, estabeleceram um bloqueio naval mais ou menos
eficiente com base na Cidade do Rio de Janeiro.
Mas, entre 1576 e 1615, com a perda da independência de Portugal
para a Espanha o porto de Araruama voltou a ser frequentado por
navios franceses, ingleses e holandeses em busca de pau-brasil,
tornando-se também a base da pirataria contra embarcações
portuguesas que procuravam dobrar o cabo. Depois de 1580, com a
submissão de Portugal, a Espanha redobrou a presença destes
navios que carregavam as bandeiras inimigas dos castelhanos. (Flor
do pau-brasil). |